Recentemente, tivemos a oportunidade de assistir a uma aula com a Profª Drª Marília Claret Geraes Duran, onde tivemos uma melhor visão sobre a progressão continuada e os ciclos, com a presença do Prof.Dr. João Cardoso Palma Filho e do Prof.Dr. José Luis Feijó Nunes, que compartilharam conosco suas experiências na área da educação, abrindo o diálogo para nossos questionamentos.
Abaixo, falaremos sobre alguns pontos discutidos por cada um desses ilustres professores.
Prof.Dr. João Cardoso Palma Filho
O Prof. João Cardoso explicou que essa discussão sobre o ensino de ciclos já vem de longa data.
Porém, é preciso melhorar as condições das escolas, para que se possa oferecer efetivamente um ensino de qualidade.
Uma observação feita pelo professor, diz respeito à necessidade de se pensar em como se obter um ensino de qualidade, principalmente no ensino fundamental, uma vez que esse é o segmento freqüentado pela maior parte da população.
Nas palavras do professor, é preciso que haja uma universalização do ensino. Levar a população para a escola.
Entretanto, melhorias precisam ser feitas, uma vez que a maior dificuldade hoje são as salas superlotadas e o despreparo dos professores para receber esses alunos.
Entretanto, ao falar do despreparo dos professores, o professor João Cardoso deixa bem claro que isso se deve ao fato dos professores de ensino fundamental terem que lidar com alunos que chegam na escola cursando a 5.ª ou 6.ª série sem saber ler. E como se ensinar história ou geografia para alunos que ainda não estão alfabetizados?
Segundo ele, o problema não pára por aí, pois o ideal seria 25, no máximo 30 alunos por sala. Além disso, o material didático também merece especial atenção, pois precisa ter qualidade. Os professores precisam de formação continuada, plano de carreira, valorização, O professor alfabetizador não tem o devido reconhecimento, nem remuneração digna.
A educação brasileira sofre também com a falta de investimento. Apenas 4 a 4,5% do PIB é direcionado à educação, ao passo que o defendido é 7%, sendo o ideal 10%.
O professor fala da existência de uma exclusão nas escolas dentro da própria inclusão, já que os alunos chegam na mesma série com diferentes níveis de conhecimento. Segundo o professor, é preciso que os alunos tenham um reforço / recuperação no momento em que apresentem dificuldades, isso para que a turma seja nivelada.
O professor demonstrou um grande nível de conhecimento do atual quadro brasileiro de educação, e trouxe muitas questões importantes para a discussão, o que enriqueceu muito o debate.
Prof.Dr. José Luis Feijó Nunes
O Prof. José Luis reafirmou o fato da discussão da progressão continuada ou ciclos não ser novidade.
Para ele, ao se colocar a população dentro da escola, nos deparamos com o problema do despreparo escola e dos professores para receber esses alunos.
Ao tentar resolver o problema da evasão escolar e dar conta do grande número de crianças fora da escola, não foi pensado na estrutura para recebê-los.
Ao narrar sua experiência pessoal dentro da escola, falou sobre o problema enfrentado ao se deparar com o grande número de alunos com dificuldades, muitos ingressando na 5.ª série sem estarem alfabetizados. O professor não tinha preparo adequado para lidar com esses alunos, criando uma grande lacuna dentro da escola. Ou, como bem falou o prof. João Cardoso Palma Filho, “criou-se uma exclusão dentro da própria inclusão nas escolas”.
Para o professor, é necessário criar oportunidades para todos, fazer acontecer a inclusão, promovendo melhores condições de trabalho aos professores, sem o acúmulo de aulas. Precisamos urgentemente acabar com a idéia de que dentro da escola não se faz nada.
O discurso desses dois professores se aproxima muito, servindo de alerta ao que acontece nas escolas, nos mobilizando para criar um ensino de qualidade e promover uma inclusão de fato, acolhendo e valorizando nossos alunos.
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